sábado, 22 de janeiro de 2011

Eu preciso de óculos

Eu acordo às 9 da manhã, em pleno domingo, para ir trabalhar.

Eu não tenho chuveiro quente em casa; aqui em casa, as opções são um banho frio ou um quente de caneca.

Eu moro com 20 pessoas divididas em 2 flats.

Eu vou para o trabalho em um tuk tuk apertado com mais 3 pessoas.

Bangladesh é o país com a maior densidade demográfica do mundo. Todas as vezes que saímos na rua, somos cercados de curiosos, pessoas que vem falar conosco.

A internet em casa é muito ruim. Não consigo falar pelo skype com minha família.

É isso que eu consigo ver. Mas... será que eu não preciso de óculos?

Eu acordo todos os dias às 9 da manhã. Meu roomate é de El Salvador, antes era da Índia. Conversamos, subo para tomar café, e me preparo para mais um dia trabalhando no Grameen. Chego todos os dias no trabalho e me sento para pesquisar, ter reuniões, saber tudo que eu quero saber sobre negócios sociais e microcrédito. Sem a menor cerimônia, é só chegar e perguntar, pesquisar, acessar os arquivos de plano de negócios, metas, orçamento. E tudo que dou em troca é minha opinião.

Minha análise do Grameen, pontos para atenção, como se fosse uma consultoria. E uma instituição que ganhou o Nobel da paz abrir suas portas para estudantes, escancarar suas qualidades e defeitos e tirar algum tempo para nos escutar... eu valorizo demais. Mesmo que seja no domingo de manhã, já que o final de semana em Bangladesh é sexta e sábado, vale a pena acordar.

Eu não tenho chuveiro quente em casa; aqui em casa, as opções são um banho frio ou um quente de caneca. Isso me fez perceber o quanto eu abuso do consumo de água em casa, me fez valorizar aquela gotinha de água quente que cai do céu, e me fez ter mais paciência até nas questões triviais, que muitas vezes não paramos para pensar. O banheiro é de estilo hindu, com um buraco no chão. O primeiro choque é grande. Se é melhor ou pior: cada um com suas conclusões. Eu acho simplesmente diferente. E cada dia aqui é feito de pequenas conquistas. Ir ao supermercado, tomar um ônibus, ir a uma mesquita. A rotina é plena de oportunidades e quebras de paradigma; meu hobbie é andar como um bangladeshi pelas ruas e observar o estilo de vida destas pessoas, que tanto tem a ensinar e aprender conosco.

Por exemplo, o vício por bebida é quase nulo; a maior parte da população se esforça para adotar os hábitos vegetarianos; o índice de criminalidade é baixo se comparado à alguns locais do meu próprio país; o uso de drogas é severamente punido.

Eu moro com 20 pessoas divididas em 2 flats. São onze nacionalidades diferentes: Holanda, EUA, China, Taiwan, El Salvador, Brasil, Japão, Coréia do Sul, Austrália, Alemanha e Itália. Todos os dias, eu tenho a oportunidade de trocar ideias com estas pessoas sobre os mais diferentes temas: a ascenção da China, questões políticas (como a relação Taiwan e China, as Coréias). Tudo isso a distância de um braço, o suficiente para cutucar o cara do lado e perguntar. Se é muita gente? Sim. Quase nunca estou sozinho. Mas pra um intercâmbio cultural, não existe nada melhor do que a certeza de interação com pessoas extremamente diferentes.

Eu vou para o trabalho em um tuk tuk apertado com mais 3 pessoas. Aprendi a falar o básico de bengali, e alguns falam inglês; negociamos, conversamos, tiramos fotos; vemos muitos sorrisos dos motoristas. Nos apertamos no tuk tuk, mas toda manhã enfrentamos a dura realidade que muitas teorias de sala de aula não conseguem responder. Este foi o mote da criação do Grameen Bank, aliás. O fundador, Muhamad Yunus, estava como professor da faculdade de Economia, quando olhou para a janela e viu gente pedindo esmola. Num país recentemente criado (1978 sua independência), ele percebeu o quanto suas teorias viviam longe daquela realidade, ou como poderiam ser melhor utilizadas para combater os graves problemas de pobreza.

Se levantou, então, e criou uma abordagem prática: uma visita de campo a Jobra, perto de Chittagong, sua cidade natal, e emprestou do próprio bolso 27 dólares para um grupo de camponeses. Se dava início o Grameen Bank, que partia do seguinte princípio: "Poverty is the absence of all human rights. The frustrations, hostility and anger generated by abject poverty cannot sustain peace in any society. For building stable peace we must find ways to provide opportunities for people to live decent lives".

Bangladesh é o país com a maior densidade demográfica do mundo. Todas as vezes que saímos na rua, somos cercados de curiosos, pessoas que vem falar conosco. E isso é fantástico: nunca havia visitado um lugar que preserva um grande ar de inocência sobre os turistas. Na maioria das vezes, quando você não é local, você pode enfrentar problemas de gente querendo tirar vantagem de você (pagar mais, etc) ou gente tão acostumada a turistas que simplesmente te ignoram.

Em Bangladesh, as pessoas querem tirar fotos com você, conversar, e sempre estão com um sorriso na cara prontas a te ajudar. Não vou falar que existe gente mal intencionada não, mas sempre que estes mundos batem de frente, o número de pessoas bem intencionadas é bem maior do que quem não quer te ajudar.

Esta onda de vibrações é contagiante e torna um país que não é rota comum de turismo especial à sua maneira. E ver um bangladeshi todo feliz mostrando com orgulho o lugar onde se constroem os navios, ou andando numa mini canoa, pra mim tem muito mais valor.

A internet em casa é muito ruim. Não consigo falar pelo skype com minha família. Me fez perceber o quanto o meu tempo é importante. Nos minutos que tenho de boa conexão, é a hora que tenho para conversar e ser o mais relevante possível no que falar; trocar ideias, responder emails, tudo passa num segundo; e me mostra o quão patética era a minha atitude de ter minha mãe do lado e continuar no msn, conversando.

Muitas vezes as respostas mais simples estão na nossa frente, mas o nosso cérebro não consegue processar tamanha a indiferença com que tratamos os fatos.

Conversando com o cara do lado, descobri coisas fantásticas; é como a macieira e Isaac Newton. Às vezes, nas coisas mais simples estão as respostas mais complexas. Estavamos conversando aqui sobre um vencedor do prêmio Mário Covas, e a visão que me disseram era bem simples: "Fui a um bebedouro de uma escola pública, e percebi o desperdício de água. Resolvi diminui-lo".

Não se sabe o que é verdade, o que é lenda na história, mas no fim das contas faz sentido. Bill Gates também falava simplesmente que "Eu tive uma ideia. Começar a primeira empresa de software do mundo".

Complementando o post anterior, às vezes a gente ajusta o nosso foco pra ver tão longe que acaba não percebendo o que está na sua frente.

É. Eu preciso de óculos.

"Se eu puder ser útil a outro ser humano, mesmo que por um dia, já seria grande coisa. Seria melhor que todos os grandes pensamentos que eu poderia ter na universidade"

Muhamad Yunus

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O simples gosto pela vida

E lá se vai mais de um mês.

Chegar aqui em Bangladesh não foi fácil. Me tomou dez dias. Londres, Doha, Nova Déli (merece um post a parte), Calcutá, Dhaka. Foi avião, trem, ônibus, problemas com visto, fronteiras. Mas o que importa é que tudo deu certo e comecei a trabalhar no Grameen Bank.

Mas o que eu quero falar agora é bem pessoal. É o que aconteceu comigo nestas 3 semanas de intercâmbio em mudanças internas.

O trabalho do Grameen Bank foi um susto para mim. Obviamente, tinha lido os livros, aprendido superficialmente sobre microcrédito. Mas ver tudo funcionando, visitar comunidades e pessoas que efetivamente tiveram suas vidas mudadas foi algo além do que eu esperava.

Um pouco de wikipedia para explicar o Grameen Bank:

O Grameen Bank é o primeiro banco do mundo especializado em microcrédito e foi concebido pelo professor bengalês Muhammad Yunus em 1976, visando erradicar a pobreza no mundo. Opera como uma empresa privada auto-sustentável e gerou lucros em quase todas os anos de sua operação, exceto no ano de sua fundação e em 1991 e 1992.

Adquiriu formalmente o status de Banco em 1983, através de uma lei especial promulgada para sua criação.

O Grameen Bank ganhou o Nobel da Paz do ano de 2006 juntamente com seu fundador.

Localizado em Bangladesh, já conta com 2.185 agências e, desde sua fundação, emprestou o equivalente a 5,72 bilhões de dólares para 6,61 milhões de mutuários, 97% dos quais são mulheres. Atende a 71.371 vilarejos e possui um quadro de 18.795 funcionários remunerados. Sua taxa de inadimplência é baixíssima, de fazer inveja aos mais bem administrados Bancos comerciais do mundo: apenas 1,15%, o que significa que o Grameen Bank recebe de volta 98,85% dos empréstimos que concede.

Atualmente existem mais de 2 dúzias de entidades que trabalham juntamente com o banco, dentre as quais se destaca a Grameen Foundation , com sede em Washington.


Meus desafios aqui são:

- Entender como funciona a estrutura do Grameen Bank para garantir que o sistema funcione sustentavelmente
- Como o sistema se protege de corrupção e outros problemas comuns
- Como se garante a sustentabilidade de liderança no projeto
- Como o banco pioneiro em negócios sociais trata o tema

O que mudou em mim nestas 3 semanas?
Eu aprendi nestas o poder que uma oportunidade pode dar a alguém.
Vi pessoas que não tinham nada, que perderam o marido, não tinham o que fazer, mas que através do microcrédito conseguiram melhores condições para sua família; vi gente que morava no que hoje é um estábulo para três vacas; vi gente que não terminou a primeira série dizer com orgulho que um filho estava no exterior, o outro terminando a faculdade e iria dar a festa de casamento do terceiro. Tudo isso porque pessoas precisavam de oportunidade.

Vivemos num sistema de garantias dos bancos. Eles obrigam que você mostre sua condição financeira, seus rendimentos, que alguém assine por você. Aí sim você se torna confiável para crédito. No Grameen Bank, as operações acontecem na própria comunidade. As referências são seus vizinhos, a chefe da sua vila, seus amigos que moram próximos na vila. E como se consegue uma taxa de inadimplência menor no Grameen Bank?

Explicarei melhor o sistema em outro post, mas a verdade é que o trabalho é um tapa na cara de quem não acredita em projetos sociais. Em real mudança. Ela existe, é palpável, e é atingível.

Eu percebi então que a minha própria existência poderia ser pautada para ideais mais nobres. Poderia expandir meus sonhos, minhas ideias, para que pudesse ajudar mais gente ainda. E ter isso como um objetivo vivo na minha carreira. Não somente como algo complementar, mas como algo que estivesse na essência do que eu faço, como estas pessoas aqui se conectam.

É muito fácil se motivar num trabalho onde você vê seu impacto acontecendo. É muito bom você ver que o seu esforço de trabalho serve para prover as coisas simples da vida, o que de fato traz felicidade.

Numa visita a uma vila, enquanto eu andava, milhões de crianças nos seguiam. Conversávamos em bengali, jogamos badminton, brincamos. Na hora de ir embora, um dos garotos correu até um campo afastado de plantações, que na área rural se expandem até onde não podemos mais ver. Enquanto eu caminhava até a van, ele me estendeu a mão.

Dentro dela, uma pequena cenoura. Arrancada às pressas. Ele simplesmente apontou para os campos, me entregou e me abraçou. Como alguém no meio da área rural de Bangladesh, sem me falar uma palavra, numa área carente, pode ter a sensibilidade de correr até o mais longíquo campo pra me dar meia cenoura e um abraço?

Pessoas assim precisam de oportunidade. O fundador do Grameen Bank e também ganhador do Nobel da Paz Muhamad Yunus diz que: Definitivamente não é a falta de habilidades que torna pobres as pessoas pobres. O Grameen Bank acredita que a pobreza não é criada pelos pobres, ela é criada pelas instituições e políticas que o cercam. Para eliminar a pobreza, tudo o que temos de fazer é implementar as mudanças apropriadas nas instituições e políticas, e/ou criar novas instituições e políticas.

Situações como esta me fizeram refletir se eu realmente estava pensando grande. Se ao ver tanta coisa mudar na minha frente, por obra e dedicação de tantas vidas que buscaram mudar esta percepção, esta não era a minha vez.

Acabei de assistir into the wild. Na minha cabeça, fica mais claro a cada dia que o gosto da vida está nas coisas mais simples. A vida em Bangladesh é feita de pequenas conquistas e trocas de experiências que tornam a minha própria vivência cada dia mais relevante. É uma nova palavra em bengali, uma conversa sobre política num flat com mais de 10 nacionalidades, uma reflexão ou uma troca de experiências de vida que o faça refletir.

Conheci um sul coreano aqui. Ele passou os últimos 2 anos viajando. Trabalhou de voluntariado no Quênia, no Reino Unido, na França, Bangladesh e vai agora para a Malásia. E vi muita gente se empenhando também em desenvolvimento de negócios sociais. Foi na verdade acendar a luz na minha cabeça para deixar ideias de lado e efetivamente trabalhá-las!

Pra mim, Bangladesh foi um sopro de força. Não de otimismo, não de esperança; mas sim de amadurecer, ver que tudo não funcionará apenas na base da boa vontade, e dar forma aos sonhos que tenho. Bangladesh não foi apenas uma escolha; é um ponto intrínseco da minha caminhada de vida. E provavelmente, o que mais me fez amadurecer desde que perdi meu pai.

Espero que vocês não se desapontem com o primeiro post daqui ser tão tarde, e tão pessoal. Nós estamos nos organizando aqui em Bangladesh para que todos os trainees dêem sua contribuição em conjunto quanto a tudo que estamos aprendendo sobre o sistema e vamos dividir em breve. Quando tiver uma conexão melhor vou postar fotos pra ilustrar :) .

Espero que depois deste post você também se sinta revigorado pra agir em busca de uma meta. Porque as suas metas são sonhos com prazo para realização!

Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
Robert Frost

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Agradecimento especial




No próximo dia 16 de dezembro, ao passo que concomitantemente embarco para meu primeiro intercâmbio em Bangladesh, termina minha experiência de quase 3 anos como parte da AIESEC em Juiz de Fora.
Foto do primeiro Discovery Days da AIESEC em Juiz de Fora / abril 2008

Ao longo destes 3 anos de experiência, passei por 2 comitês organizadores, 3 times nacionais (agora como coordenador), 10 conferências (2 internacionais), um ano como diretor e agora outro como presidente de comitê local. Uma experiência extensa, mas muito mais relevante não pelos cargos em si, mas sim pelos desafios que tive que enfrentar em cada momento.

A começar pela institucional, a AIESEC é uma organização que eu considero idealisticamente perfeita. É impossível achar alguém em sã consciência que seja contra a missão da AIESEC, que consiste na paz e preenchimento das potencialidades humanas. Uma plataforma internacional para que jovens explorem e desenvolvam seu potencial de liderança buscando o impacto positivo na sociedade. A frase e definição criam uma organização única para desenvolvimento de competências exigidas não somente pelo mercado de trabalho, mas sim para a vida.

Costumo dizer pras pessoas que ninguém é capaz de motivar alguém; através de palavras, elas podem ter um efeito em uma pessoa ou em outra. Mas motivação é algo que vem internamente, uma força que te conecta de coração com aquilo. O que todas as pessoas do mundo ao seu redor podem fazer para te motivar são nada mais que mostrar possibilidades e oportunidades que você pode ambicionar, mas se você não compra a ideia, não dá certo.

Eu comprei a ideia da AIESEC. Eu comprei um compromisso com criar uma sociedade com menos preconceitos, de ter uma experiência que fosse relevante não só para mim, mas para impactar quem estivesse ao meu redor. E ao longo destes anos tiveram algumas histórias que me fizeram ver e refletir sobre a força de pessoas conectadas por um ideal.

Cye Sergio, primeiro trainee da @JF (sentado de branco)

O primeiro aspecto que me fez refletir foi o contato com o internacionalismo. Pessoas de diferentes países, com diferentes culturas, me fizeram aprender sobre "os problemas culturais". O que é um problema para alguns pode ser uma grande oportunidade para outros. Nunca me esqueci da primeira vez que falei que íamos enviar alguém para a Colômbia minha mãe reagir com estranheza e ser alvo de chacota por parte de várias pessoas. E não é que no final das contas, alguns dos maiores amigos que fiz na AIESEC ao longo destes anos vieram de lá? Aprendi muito com o nacionalismo dos colombianos, e vi como o estilo de vida deles tem a nos ensinar.

Além de brasileiro, eu sou um cidadão do mundo. Onde quer que eu esteja, pretendo aprender diferentes maneiras de tornar aquele lugar melhor para as pessoas que ali viverem, de acordo com a percepção deles. Tem muitas coisas que o Brasil deve aprender com lugares de fora, assim como tem muitas coisas que o mundo pode aprender com o Brasil; amo meu país, meu mundo, e tenho intenção de torná-lo cada dia dando mais condições para que seus habitantes estejam em condições de uma vida digna.

Eu e o presidente da AIESEC Internacional, Hugo Pereira

Aprendi na AIESEC a vencer n preconceitos meus; convivi com pessoas de diferentes universidades (UFJF, Machado, Vianna Jr., Granbery, CES, pós graduações), faculdades (Engenharias, Arquitetura, Economia, Administração, Direito) e com experiências de vida extremamente diferentes (pessoas que viajaram para países como Rússia, Índia, Tunísia, Egito). Isso me deu uma nova percepção de mundo.
Além disso, encontrei minha linha de estudo dentro da faculdade, consegui trabalhar com uma leva de oportunidades
e eventos que me moldaram como pessoa.

Mas ao longo destes 3 anos, o que mais aprendi foram com as pessoas. Por mais que a organização em si
seja idealisticamente perfeita, ela só é possível através de pessoas. Pessoas capazes e motivadas naquilo que fazem.

Agradeço a cada conversa que tive com diretores nacionais, a cada amigo que fiz, a cada congresso que participei, a cada obrigado que recebi,
a cada pessoa que selecionei, a cada intercambista que vi feliz com sua experiência, cada trainee que conheci. Para mim, é isso que fez a diferença na minha
formação. Este era o objetivo que me uniu à AIESEC: a possibilidade de me conectar a pessoas diferentes, nem melhores nem piores
que eu, simplesmente diferentes, mas algumas essencialmente brilhantes.

Carrego durante os próximos anos minha eterna gratidão à organização e me deixo a disposição para ajudá-la no que for necessário.

Para terminar, nunca vou me esquecer da história que aconteceu no Congresso Internacional 2010, na Índia.

Ao receber uma premiação de melhor projeto da AIESEC Internacional, os competitivos chineses receberam o segundo lugar.
Não houve comemoração, foi algo singelo. Não havia comoção por parte deles, chateados de não terem vencido a competição.
Para surpresa maior dos espectadores, os vencedores foram ninguém menos que o projeto de Taiwan.

O presidente da AIESEC em Taiwan, aos prantos, disse que era a primeira vez em 20 anos de existência que sua AIESEC era chamada ao palco para comemorar algum prêmio.
Agradeceu, e aplaudido de pé, desceu do palco. A premiação terminou. Os acanhados chineses se encontravam em um canto.

Você há de imaginar que perder um país muito competitivo e focado em metas perder seu prêmio para uma província
com uma série de problemas históricos não deve ser a melhor sensação do mundo. Foi quando vi o ato que mudou minha percepção e me fez acreditar mais na força da mudança.

O presidente da AIESEC na China se aproximou do de Taiwan, deu-lhe um abraço e parabenizou-o. E assim fizeram os outros
10 integrantes dos dois países, que conversavam e trocavam ideias, um olhando o prêmio do outro, mas sorrindo, se confraternizando.

Quem estava comigo não deixou de reparar que eu chorava copiosamente. Esta imagem nunca sairá da minha cabeça.

Agradeço à AIESEC em Juiz de Fora por nestes 3 anos, ter me dado esperança e força para mudar e empreender. Parto agora para um intercâmbio
em Bangladesh e outro na Indonésia, lugares que nunca tinha pensado em ir. Mas com um projeto único de mudança, e que pretendo que seja
algo que trabalhe para sempre na minha vida. Isso para mim fez toda a diferença do mundo, e mais, criou uma meta pessoal:

Ser positivamente relevante para 1 bilhão de pessoas até o final da minha vida.

Sempre estarei aqui para apoiá-los!

De um alumnus orgulhoso!

:)


domingo, 17 de outubro de 2010

Revendo um velho amigo

- Fala Léo! Quanto tempo cara!

- Iaí! Po, tempasso mesmo!

- Como é que tão as coisas?

- Cara, melhor impossível!

- E a família, como vai?

- Bom, está tudo bem! Na verdade, melhor impossível. Em julho, ganhei mais um sobrinho! O nome dele é Pablo, filho da minha irmã Aline!

- Que legal! Vai se juntar ao outro... qual o nome mesmo?

- Cássio, filho do meu irmão Cassiano. Fez um ano em agosto, nem vi passar direito! Tanta coisa mudou neste tempo...

- E aí? Como anda a faculdade?

- Então, to terminando minha monografia! O tema é Empreendedorismo Social aplicado à Responsabilidade Social Corporativa.

- Anh?

- O meu objetivo é provar para empresas que responsabilidade social vai além de não utilizar copos descartáveis e separar o lixo; é mostrar como um investimento nos verdadeiros propulsores de mudança social são um benefício para a empresa, através do seu posicionamento e do retorno intangível que existe na sua imagem. Pretendo trabalhar com programas de Negócios Sociais, baseado na obra de Muhamad Yunus, ganhador do Nobel da Paz em 2006 com seu projeto no Grameen Bank (Bangladesh) para microcrédito de comunidades carentes; e analisar uma série de outros estudos de caso que provem como RSC (CSR, em inglês) pode ser aplicada para formar uma sociedade melhor.

- Só... mas como você vai fazer pra convencer uma empresa disso?

- O meu principal foco vai ser trabalhar com uma empresa indiana, chamada Tata, que concomitantemente com seu país apresentou um grande crescimento e é símbolo do nacionalismo e do exuberante desempenho de seu país no cenário internacional; a empresa conseguiu aliar um grande investimento em empreendedorismo social, educação e financiamento de iniciativas que levassem mais benefícios à sua população com um grande retorno financeiro e de imagem que só mesmo estando lá para ver.

- Como você sabe?

- Bom, em agosto deste ano, embarquei para a Índia, onde fiz parte de uma delegação de 13 pessoas que representavam a AIESEC no Brasil, e fiquei lá durante 3 semanas, 10 dias de congresso e outras conhecendo a realidade.

- AIZEK?

- Então, AIESEC é a organização que eu estou trabalhando pelo terceiro ano seguido; agora o último no nível local, em Juiz de Fora, fechando minha gestão de 2010 como presidente do comitê local da cidade. Tem sido uma oportunidade muito gratificante e ao longo do ano me deu a oportunidade de conhecer gente do mundo todo e de aprender mais do que eu imaginava.

- Conta um pouco mais aí.

- Nestes 10 meses como presidente, aprendi bastante sobre o que quero fazer da vida. Pra começar, percebi que quero ser relevante de alguma forma para as pessoas. Não quero um trabalho que só me dê meu sustento, que eu não veja o impacto do que eu estou fazendo; quero ver pessoas tendo sua vida facilitada pelo que eu faço, e devolver ao mundo grande parte do investimento que foi feito em mim (escola particular, intercâmbio, universidade federal, oportunidade de me formar). Acho que fica claro para mim que não existe nada melhor que trabalhar com capacitação e desenvolvimento de pessoas, porque nada é tão enriquecedor do que aprender mais a cada dia, quebrar os seus mais diversos paradigmas, ter que se adaptar, e ter a certeza que você é relevante.

Nos últimos dias tenho refletido bastante qual é minha relevância de fato. Vendo o resgate dos 33 mineiros lá no Chile, eu parei pra pensar o que realmente vale a pena na vida... se eu passasse dois meses em um poço, quem estaria lá em cima pra me receber depois? Porque minha vida seria tão importante e relevante para o mundo? Será que a sociedade sentiria minha falta?
Estudando pra minha monografia, vi que o ganhador do Nobel da paz em 2006 já ajudou através de sua iniciativa mais de 20 milhões de pessoas, e inspirou outras incontáveis através de seus livros... e eu? Como poderia tornar minha contribuição mais ativa ao mundo?

Eu fiz minha escolha, e estou me esforçando agora para garantir que tenha um trabalho que me dê esta possibilidade.

- Doideira hein! Mas você não pensa em ganhar dinheiro?

- Não existe uma dicotomia entre lucrar e ter um trabalho impactante que mude a vida das pessoas; empreendedorismo social também pode ser um bom negócio, e na maioria das vezes é. O problema é que muita gente só pensa no lado assistencialista, quando também devem haver bons gestores e pessoas capacitadas para gerir estes projetos, caso contrário, eles permanecem no campo das boas ideias, péssimas execuções. E já dizia Abraham Lincoln, "Whatever you are, be a good one". A minha intenção, mais do que ganhar dinheiro, é ser bom no que faço e relevante para alguém.

- E depois de formar?

- Bom, em dezembro embarco para fazer intercâmbio.

- Pra que mais um?

- Bem, o fato é que o intercâmbio que fiz anteriormente não supriu as minhas necessidades profissionais; foi bom para aprender outra língua, mas o que eu trabalhei não tem nenhuma relação com a carreira que busco agora. A minha experiência internacional contará sim na hora de um emprego, mas o que eu fiz também conta bastante, e trabalhar numa escola de ski não está entre os meus objetivos pro futuro. Daí meu interesse em suprir esta lacuna que não consegui anteriormente. Por isso, queria um intercâmbio que me desse uma experiência de trabalho relevante, ou um intercâmbio que realmente fizesse a diferença do porque eu estava viajando, com a certeza de que contaria com um acompanhamento forte.

- E agora? Vai pra onde?

- Farei dois: Bangladesh e Indonésia.

- Bang o q?

- Bangladesh, na Ásia, ao lado da Índia, perto do Butão e do Nepal (sem trocadilhos). Indonésia, Ásia, perto da Austrália.

- Não um tinha um lugar melhor não?

- Depende do seu conceito de lugar melhor. Se você prefere passar a sua vida numa bolha ignorando as disparidades do mundo e disposto a não vê-las, realmente existem lugares melhores; não penso que haja países "melhores" que outros, o que existe sim são diferenças (abissais) nos problemas enfrentados. Mas daí a julgar algum país e usar o adjetivo melhor, eu considero errado; talvez países com problemas mais graves, que ponham em risco a vida e a dignidade humana poderiam ser chamados de países com mais desafios, mas não "piores", isso seria subjulgar uma cultura/potencial humano e estabelecer uma predestinação eterna para este local.

A minha viagem à Índia me fez perceber o quanto eu devo transformar problemas em oportunidades de melhoria; choques culturais são ótimos para te fazer refletir sobre o que é realmente essencial para a felicidade, para garantir a qualidade de vida de alguém. Eu espero no meu intercâmbio fazer a diferença, trabalhando com algo que vá me agregar conhecimento pro futuro e conhecendo uma nova realidade. Os lugares não são piores ou melhores, simplesmente diferentes...

- Tá doido rapaz...

- É, de vez em quando eu também penso isso. Mas prefiro acreditar que existem mais de 200 países ao redor do mundo, e cada um tem seus pontos positivos e negativos. Não tenho medo de enfrentar choques, de ter que me adaptar a outro lugar. De fato, as situações da minha vida em que eu tive que mudar foram as que me fizeram amadurecer. "Não existe melhoria em toda mudança, mas certamente não existe melhoria sem mudança". Espero ter serenidade para perceber e respeitar que cada sociedade tem suas necessidades e tirar o melhor de cada experiência.

- Você tá mudado!

- É, este ano me fez amadurecer. Estou me formando, ano que vem termino minha pós, e estou muito disposto a aprender ao máximo até entrar de fato no mercado. Espero que acumulando experiências relevantes e tendo humildade para aprender cada dia mais, garanta uma base para completar o meu propósito de vida: impactar positivamente na vida das pessoas.

- Ih, tá dando minha hora aqui...

- Rapaz, foi muito bom te ver! Manda um abraço pro pessoal!

- Cara, só uma última pergunta: você é feliz?

- Me considero hoje extremamente realizado com o que faço e uma pessoa bem estável em relação à suas emoções. Pra mim, o que aprendi durante o ano teve um preço incomensurável, e mais do que isso, me deixa hoje com a seguinte certeza: eu posso não concordar com você, eu posso achar o que for da sua personalidade, da sua relação com família, modo como encara a vida... mas uma coisa é certa: eu vou te respeitar, porque certamente o meu modo de ver o mundo não é lei divina, é mais uma visão no meio de 6,5 bilhões de pessoas na Terra, 230 países, sem falar das diferenças de religiões, crenças, governos... e me esforço cada dia mais para não julgar ou cometer o erro de ser intolerante.

:)

Acho que deu pra explicar um pouco dos últimos meses! Quando estiver mais livre posto mais... espero que vocês gostem!

PS: Este texto não é uma crítica a nada, nem a ninguém! É meu simples ponto de vista, meus objetivos, meus sonhos!

terça-feira, 13 de abril de 2010

A vida sem impacto não é uma existência plena

Já faz um bom tempo que eu não paro para escrever aqui no Blog. Confesso que passei por uns momentos em que me perguntei se não estava sendo repetitivo, se minhas idéias eram realmente válidas de espalhar; se isso realmente fazia diferença, não só para mim, mas para alguém que se interessasse em ler algo escrito por mim; junte-se isto aos problemas do dia-a-dia, e lá se vai mais de um mês sem posts.

Durante este tempo, pensei muito sobre o que seriam idéias que deveriam ser externalizadas. E andei filosofando sobre algumas situações que tiveram algo em comum na minha vida, especialmente desde meu aniversário.



Eu nunca fui suficientemente bom em nada. E digo isso feliz da vida: eu nunca tive as melhores notas na escola, eu nunca fui o melhor jogador de basquete, eu nunca fui o orador que se destacasse. Isso sempre foi algo que assombrou meus sonhos: se eu não era suficientemente bom em nada, o que eu iria fazer da minha vida?

Por suficientemente bom, entende-se pessoas que realmente nasceram com algo chamado talento. Eu vi e vejo muita gente talentosa e boa naquilo que faz. Quando eu me acho bom em alguma coisa, como não sei, cinema, tem alguém que consegue me descrever toda uma cena sem perder nada; quando eu me achava bom jornalista esportivo (acredite, eu entrei na faculdade pra escrever no LANCE e trabalhar na ESPN Brasil), eu via alguém com memória impecável e que conseguia visualizar um lance como ninguém; quando achava que jogava bem basquete, handball, até videogame, sempre existe alguém muito talentoso que me fazia ver que eu realmente devia estudar muito mais ou praticar ainda mais.



Não falo isso com desgosto ou chateado não. Falo isso como uma verdadeira constatação. E por isso, desde pequeno fui acostumado a me esforçar muito; estudar muito, correr atrás. Meu pai sempre me falava: "Não me importa o que você vá fazer, simplesmente seja o melhor que você pode ser e faça algo que você gosta". Foi aí que comecei a fazer de tudo: formei em italiano com 15 anos de idade (foto acima), estudei informática, filosofia, tudo que desse na cabeça. Até a época do vestibular, não tinha idéia do que fazer, mas fui muito levado a reflexão na minha terapia. Pensei em tudo que eu gostava de fazer.

Eu gostava de ser filósofo, porque moldava pensamentos e teorias que tivessem aplicabilidade na vida das pessoas. Lia, gostava de saber de tudo, e achar um sentido lógico para a minha existência; Gostava de estudar outras línguas, porque não gostava de me sentir simplesmente brasileiro, mas sim um cidadão do mundo, e não existe nada melhor que ter um mundo de oportunidades a sua frente para melhorar a vida das pessoas; gostava de jornalismo esportivo, porque estava diretamente relacionado à emoção das pessoas, e já havia rido e chorado muitas vezes. E consegui chegar a uma relação entre estes elementos.


Aplicabilidade de teorias na vida das pessoas é impacto; é dar a elas a possibilidade de dividir sentimentos e impressões que realmente simplifiquem e otimizem sua qualidade de vida. Ser um cidadão do mundo é impacto, é trazer um sentimento de que você pode e deve melhorar a vida de outras pessoas, por mais distantes ou difícil que este contato possa parecer; mexer com as emoções é impacto, para que você possa trabalhar com a possibilidade das pessoas superarem problemas que sejam empecilho para sua realização pessoal ou felicidade.

Percebi que para mim, não importa o que faça: eu quero causar impacto. Chegar ao final da sua vida e lembrar de todas as pessoas que você fez inspirar, que se desafiaram, que agradeceram por você ter aparecido na vida delas. Porque eu sei que nos últimos momentos da minha vida, é disto que eu vou lembrar; dos meus filhos, do legado que deixei intrínseco a minha existência: a possibilidade de mudar a vida de alguém para melhor, e a partir destas mudanças, construir um mundo melhor.

Escolhi minha faculdade, mas isso pouco me importa hoje; me importa mais o que eu faço pra ser o melhor que eu posso pra minha família, pra mim, pra minha profissão; o que importa é ter a consciência limpa de que tudo está voltado para que eu não esqueça a missão da minha vida:

"Por mais que você se esforce, planeje-se, problemas vão aparecer, de uma forma ou outra; o que vai fazer a diferença é como você vai lidar com eles."

E desde então, dedico cada minuto que eu tenho de vida útil a este propósito: ajudar para que as pessoas possam superar os problemas de sua vida para atingir a realização de seus sonhos e felicidade. Dizer o que sinto, estar pronto a ouvir e ao exercício contínuo de se melhorar, pensando um dia em causar o mesmo impacto que as pessoas brilhantes que passaram pela minha vida causaram a mim.
Isso faz pleno sentido para mim, e acho que isto é o que basta para tornar a atividade de existir plena para cada um de nós!

"Por não saber que era impossível, ele foi lá e fez"

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Excelência não é um feito, mas sim um hábito



No dia 27 de fevereiro de 1989, mais exatamente às 4 horas da tarde, eu nasci.
De quantos meses? Meu parto demorou? Quem fez meu parto? Eu não sei.
Passei anos imaginando, me olhando no espelho, como eu gostaria de saber a resposta para algumas destas perguntas. Só fui entender o que era ser filho do coração uns anos à frente.
Ser filho do coração é uma prova imensa de amor. Dos seus progenitores, dos seus pais, da sua família. Isso tudo por que é uma escolha muito pensada, muito difícil para algumas pessoas, e por muito tempo foi mal vista, alvo de preconceito pelos homens de puro sangue, as famílias tradicionais de linhagem tradicional!


Desde o início, sabia do fato; meus pais sempre foram muito sinceros, não foi nenhuma cena de novela. Aprendi a amá-los, a conservar cada minuto de carinho, cada momento especial. E as dúvidas foram se esvanecendo da minha cabeça.
Porque o quem você é hoje não é tão importante quanto o que você se esforça para ser amanhã.
Cada característica minha pessoal não é delineada por traços biológicos, ou por herança genética; as pessoas definem suas personalidades através de comportamentos. E é isso que faz toda a diferença do mundo: o modo como você age.
Por exemplo, se você é considerado uma pessoa educada. As pessoas te elogiam, sempre dizem isso sobre você. Se durante um ano você acha que tem esta competência intrínseca a seu caráter, e passa a esquecer de dar bom dia, de agradecer, de se desculpar, certamente você não será mais educado; a arte de viver é um exercício constante de melhora pessoal, de estabelecer hábitos e ações que o tornem um exemplo para outras pessoas e que definam o seu caráter.
Para mim, o importante não é o verbo Ser. É o verbo estar. As pessoas mudam, suas personalidades mudam. Isto é algo incontrolável, o curso não é simplesmente uma linha reta; o que fará a diferença é como vamos reagir a estas mudanças. E para isto, criamos missão, valores e projeções de futuro.

E assim, minha família me deu o exemplo. Aprendi o real sentido de viver. Criei a minha missão: causar impacto na vida de outras pessoas e mudar a vida delas para melhor. Como a minha foi mudada pelos meus pais, pelos meus irmãos; o processo se encadeia de tal forma que acredito que seja capaz fazer muito mais do que eu consigo imaginar; e a cada vez que ouço um agradecimento, meu coração se enche de força para tentar cada vez mais.
Há algum tempo atrás, achei um livro no sítio do meu pai; ele se chamava "o plantador de árvores", ou algo parecido. Contava a história de um homem que todos os dias, plantava suas sementes num local ermo, onde não havia nada. Questionado por que fazia isto numa terra tão ruim, ele sempre mostrava fé que com sua plantação, conseguiria restituir toda a flora ali não existente. E durante um tempo, foi motivo de descrença e chacota.
Após 10 anos, a situação já mudava: já haviam algumas plantas, a população começava a se aproximar do vale, agora mais verde; e de dez em dez anos, as coisas foram melhorando, até que o vale se tornou verde o bastante para abrigar uma população e garantir a prosperidade de muitos que outrora se veriam frente a frente com a seca. E tudo graças a um semeador que talvez nunca tenha sido visto pelos homens do vilarejo, que poucos sabem do que fez. Mas ele foi lá e mudou.
Acredito muito no potencial de mudança das pessoas. Sou um entusiasta do ser humano.
E daí, o que isto tem a ver com meu aniversário? Minha adoção?
Escrevo para dizer que "problemas" como os que tive com origem não são o principal da vida; o que realmente desenha seu caráter são suas ações, e não há nada que imponha um limite ao que você quer se tornar. Assim, o tamanho dos problemas e como você vai encará-los torna-se uma questão de ótica, e não um empecilho. Eu poderia ter parado minha vida, não ter aceitado a adoção, ter procurado meus pais biológicos, mas, de coração, isso não faz a mínima diferença para mim hoje.
Eu me tornei filho da Elaine, do Ronaldo, irmão do Tomás, do Cassiano e da Aline. Eu me tornei neto da dona olga e da dona ondina, do seu isaltino e do joão. E eu criei a minha meta:mudar a vida das pessoas para melhor, a começar dentro da minha casa.

"Nós somos o que nós repetidamente fazemos. Excelência, portanto, não é um feito, mas sim um hábito."
Aristóteles

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sete coisas que não aprendi nos livros - Parte 1

Nos últimos tempos, vivi uma série de situações que me fez repensar como me colocaria numa posição de liderança. E ver como cada uma delas me modificou, moldou pensamentos e me fez refletir. Espero que isso faça você que está lendo refletir!
Eu dividi sob o título sete coisas que não aprendi nos livros. Não tem nenhuma ordem de importância, vai mesmo pelo dia!

Parte 1: "Metas são sonhos com prazo para realização"




Se pudesse me resumir a uma palavra, ela seria inspiração. Desde pequeno, sempre fui inspirado pelas pessoas que moldaram meu caráter, e minha missão pessoal é se tornar um inspirador para que outras pessoas sintam a gratidão que sinto em relação às pessoas que criaram um sonhador.

Sempre me foi permitido e aconselhado a sonhar. Desde pequeno sempre fui alguém que me cobrava muito. Até me adequar à realidade, isso durou muito tempo, porque meu objetivo era não criar problemas para os outros. Na minha infância, eu me lembro de uma cena: matriculado na escolinha de futsal, quando as pessoas do outro time vinham pegar a bola de mim, eu entregava sem relutar. Não queria magoar ninguém, porque sentia isso em relação a meus pais. Eu me lembro o quanto já apanhei e fui xingado (hoje eu sei com razão) durante esta parte da infância.
Então, com o passar do tempo, os sonhos tomam forma. Não são simplesmente um esboço, uma coisa inalcançável. São um escopo do que você no seu íntimo pretende se tornar. São sua inspiração. E é aí que sonhos deixam de ser inalcançáveis. Quando você os transforma em metas.
Tenho um grande marco na minha vida sobre quando transformei meus sonhos em metas. Na minha formatura de quarta série do primário, a minha primeira na escola, meu pai me explicou que não poderia ir à minha festa, porque tinha que viajar. Eu chorei, esperneei, nunca aceitei isso, porque pensava que nunca perderia a primeira festa de formatura do meu filho. E eu recebi um telegrama na época, com os seguintes dizeres que guardo comigo até hoje:


Confesso que minha primeira reação foi de raiva. De ter um sonho arruinado, de ter minha família eternamente ao meu lado, principalmente nestes momentos. Eu guardei o telegrama na época somente por educação, e passei alguns dias sem falar com meu pai. Compreensível não?
Passam-se os anos, e depois, quando eu já estou na faculdade, criei uma meta para minha vida: causar impacto na vida de outras pessoas. Desde tocar violão no centro espírita, até me dedicar a obras voluntárias, foi isto que busquei. E resolvi compartilhar com meu pai isso. E perguntei qual tinha sido o maior desafio dele neste tipo de trabalho.
Desde pequeno, sempre vi o trabalho com obras sociais, e uma dedicação enorme a isto. "Meu filho, há uns 20 anos eu criei um projeto de apoio no vale do jequitinhonha. Era um plano de apoio às crianças, a construção de uma creche. Busquei minha vida toda apoio para isto. Nunca consegui ninguém que financiasse. E isso só foi possível há oito anos atrás, mais exatamente, no dia de sua formatura, quando fui até o vale do jequitinhonha inaugurar as creches para o projeto que eu sonhei, porque era a única época em que o realizador do projeto junto comigo podia viajar".
Eu gelei. Como eu podia ter feito tudo aquilo? Tornei a realização do sonho de alguém um empecilho, aposto como aquilo o fez sentir mal. E isso refletiu muito na minha maneira de encarar os sonhos dos outros e os meus.
Quem sou eu para julgar o sonho de alguém? Como colocar seus propósitos pessoais frente a frente com sonhos de outras pessoas pode ser maléfico a elas? Eu sei que não sabia o motivo anteriormente, mas obviamente não podia desconfiar do amor ou confiança das pessoas que mais estiveram ao meu lado durante estes anos de vida. E os meus sonhos? Será que um dia isso não ocasionaria mal entendidos como o de meu pai? Será que eu teria que abrir mão de situações como aquela para realizá-los? Eu fiz a minha escolha.
E esta foi a primeira vez que ouvi esta frase: "Metas são sonhos com prazo para realização". Neste contexto, eu aprendi que seus sonhos devem ser respeitados, e não julgados; cada pessoa tem suas aspirações, tem sua vontade. E a missão do líder é inspirar, fazer com que elas cheguem mais próximas daquilo que ambicionam; e principalmente, tornar isso palpável e possível. Que sonhos sejam dissolvidos em metas, para que não existam somente no nosso inconsciente, mas que se tornem o sentido da vida e o único caminho possível para a felicidade.
Desde então, criei metas para aprendizado; criei metas para cada oportunidade que ia abraçar; metas até para minha vida pessoal. E isso se torna um hábito;e a partir daí, os sonhos se tornam parte integrante da sua vida.